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O que significa “viver sem intercessor”?

Ilustração: Entre dois querubins dourados, Jesus está vestido como sumo sacerdote, com as mãos perfuradas estendidas sobre a arca dourada da aliança enquanto a fumaça da intercessão sobe do incensário dourado.


Escrito pelo Pr. Isaac Malheiros Meira

A “Teologia da Última Geração”, desenvolvida por M. L. Andreasen, é um conceito de “teodicéia”, onde Deus é quem precisa livrar-se das acusações de Satanás. E, para ser defendido, Deus contará com a última geração de cristãos fiéis. Nessa teoria, Deus é vitimizado e precisa ser defendido.

De fato, o Dia da Expiação e o juízo tem esse aspecto da “vindicação”, mas Andreasen torna isso central, tão importante quanto a morte de Cristo. Deus é dependente dessa última geração, pois após a cruz, Satanás teria uma segunda chance de derrotar a Deus, derrotando a última geração. O primeiro round foi com Jesus, mas o segundo e definitivo round será com a última geração. Ou seja: Satanás ainda não foi vencido.

Paul Evans demonstrou onde e como Andreasen e Ellen White concordam e discordam. E um dos pontos de discordância é justamente essa ênfase na “defesa de Deus” através da última geração. Ele demonstra que Andreasen está baseado mais em autores como Waggoner, Jones e Prescott do que em Ellen White. (Ver a tese doutoral de Evans. Acesso em 12/12/2014.)

Em suma, Andreasen apresenta algumas dificuldades nos seguintes pontos:

  1. nos significados de “viver sem intercessor”. Esse tema será desenvolvido a seguir.
  2. na questão da natureza humana de Cristo (pós-lapsariana, como a nossa natureza). Nesse ponto, com a superênfase no exemplo de Cristo, a salvação vira apenas uma ‘brincadeira de imitar’ Jesus, onde quem conseguir, ganha.
  3. na questão da vindicação do caráter de Deus e de sua Lei dependerem da última geração.

Claramente os conceitos de Andreasen são uma extensão dos conceitos de Ellen White. E em alguns pontos eles chegam a ser uma contradição. Ou seja: ele falou mais do que ela disse, e também falou o contrário do que ela disse. Na questão da geração que passará pelo tempo de angústia, o foco de Ellen White é a preparação dos crentes para passarem por essa prova. Por sua vez, Andreasen focaliza o conceito da teodicéia, da vindicação do caráter de Deus, ênfase que Ellen White não dá.

Um dos temas relacionados à “Teologia da Última Geração” é a afirmação de Ellen White de que no tempo de angústia os crentes terão que viver diante de um Deus santo sem intercessor. Sobre isso, vamos fazer algumas reflexões.

1. Ellen White realmente afirma isso.

Precisamos admitir que Ellen White realmente afirma que, no tempo de angústia, os justos (e não apenas os ímpios) viverão sem intercessor. (E para explicar o “viver sem intercessor” não adianta dizer que “o Espírito também intercede por nós”. A intercessão do Espírito e a de Cristo são diferentes. E Ellen White refere-se claramente à intercessão de Cristo nesses textos.) Para combater o perfeccionismo não precisamos negar as palavras de Ellen White, precisamos entendê-las. É inegável que Ellen White escreveu que a geração final, após o fechamento da porta da graça, estará diante de um Deus santo, sem intercessor. Ela se refere aos justos, e repete a ideia diversas vezes em termos semelhantes:

“Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. Suas vestes devem estar imaculadas, o caráter liberto de pecado, pelo sangue da aspersão.” (O Grande Conflito, 425)

“Naquele tempo terrível, depois de finalizada a mediação de Jesus, os santos passaram a viver à vista de um Deus santo, sem intercessor. Cada caso estava decidido, cada joia contada. Jesus demorou um momento no compartimento exterior do santuário celestial, e os pecados que tinham sido confessados enquanto Ele esteve no passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus.” (O Grande Conflito, 648-649)

“Estes são os que vieram de grande tribulação” (Apoc. 7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Mas foram livres, pois “lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro”. (O Grande Conflito, 649)

Essas declarações não são ambíguas nem problemáticas, e a Bíblia apoia a ideia. A intercessão de Cristo no santuário vai cessar em algum momento? Sim, pois ele deve ser concluído antes da Segunda Vinda, porque naquele momento Jesus volta à Terra para dar a recompensa de acordo com o resultado do juízo pré-advento. É impossível negar que a intercessão terá fim no tempo de angústia (Ap 22:11).

Alguns textos de Ellen White que confirmam o fim da intercessão:

“Quando Cristo cessar de interceder no santuário, será derramada a ira que, sem mistura, se ameaçara fazer cair sobre os que adoram a besta e sua imagem, e recebem o seu sinal (Apoc. 14:9 e 10).” (O Grande Conflito, 627)

“Um anjo que volta da Terra anuncia que a sua obra está feita; o mundo foi submetido à prova final, e todos os que se mostraram fiéis aos preceitos divinos receberam o selo do Deus vivo. Cessa então Jesus de interceder no santuário celestial.” (O Grande Conflito, 613)

“No culto típico, o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação. Assim Cristo, no final de Sua obra de mediador, aparecerá “sem pecado… para salvação” (Heb. 9:28), a fim de abençoar com a vida eterna Seu povo que O espera.” (Maranata, 249)

“Só depois que termine a Sua obra como mediador, Lhe dará Deus “o trono de Davi, Seu pai”, reino que “não terá fim”. Luc. 1:32 e 33. (O Grande Conflito, 416)

“Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda: e quem é justo, faça justiça ainda: e quem é santo, santifique-se ainda. E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22:11, 12).

A “Teologia da Última Geração” pode apresentar vários pontos polêmicos, mas certamente o fato de “viver sem um intercessor” durante o tempo de angústia não é um deles.

Viver sem um intercessor não significa “salvação centrada no homem”.

Viver sem um intercessor não significa “não precisar mais de Cristo”.

Viver sem um intercessor não significa “vencer independentemente de Cristo”.

Viver sem um intercessor não significa “viver sem um Salvador”.

2. O significado de “viver sem intercessor”.

De alguma forma, convencionou-se entender que “viver sem intercessor” significa viver sozinho, abandonado, por conta própria, o que é um absurdo. O debate muitas vezes gira em torno de uma má compreensão generalizada dessa expressão. O sentido de “viver sem intercessor” é ‘esticado’ desnecessariamente.

Viver sem intercessor refere-se exclusivamente à obra de Cristo no santuário, e não à sua presença com seu povo ou seu cuidado por ele. É viver sem a obra de um intercessor para perdão de pecados e não sem a sua pessoa ou sem o seu auxílio.

Viver sem intercessor não significa estar desamparado, abandonado. Significa que o caso foi encerrado definitivamente, e não haverá mais mudança de lado, transferência de lealdade. O caráter já vai estar fixado((“The coming of Christ does not change our characters; it only fixes them forever beyond all change”. (Ellen G. White, Testimonies for the Church, vol. 5, 466))). Nada pode agora inverter o veredicto. Não há nada mais a dizer. Resta apenas Jesus voltar e os santos viverem e reinarem com Ele durante mil anos (Ap 20:4-6).

Durante este tempo, os maus estarão para sempre fixados na maldade e nunca vão alterar a sua posição. Os justos, por outro lado, são vedados e moldados de tal maneira que também nunca mais irão mudar a sua posição de fidelidade. “Cada caso fora decidido para a vida ou para a morte.” (Primeiros escritos, 280)

Por causa dessa posição imutável e irrevogável diante de Deus, não há mais necessidade de Cristo interceder junto a Deus para a salvação ou redenção dos justos. Por isso Jesus não vai ser um intercessor para ninguém.

E não há contradição entre o fim da intercessão de Cristo e sua promessa de estar conosco todos os dias. A promessa de Cristo de estar conosco até o fim do mundo (Mt 28:20) não é de forma alguma negada pelo fato de não haver mais intercessão pois são aspectos diferentes do ministério de Cristo. Ele não intercede mais, no entanto continua cuidando e sustentando. Nós ainda precisamos de Jesus, bem como do poder Espírito Santo, mesmo que a intercessão para o perdão de pecados não seja mais necessária.

Afirmações como “no momento mais angustiante da sua vida, Jesus não estará lá para interceder por você!” podem ter carga emocional, mas não deveria preocupar ninguém, já que tudo estará definido eternamente.
A conclusão de que Cristo está de alguma forma, pelo fim do Seu ministério mediador, em uma relação diferente com o Seu povo, é falsa. A salvação continua sendo pela graça, mesmo no tempo de angústia: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9).

3. O significado de “por si mesmo”.

“Por si mesmo” significa “individualmente”, e não “por conta própria” ou “independente de Deus”. Significa que ninguém vai responder por outros, apenas por si. Ellen White escreveu:

“Naquele tempo de provações, toda alma deverá por si mesma estar em pé perante Deus. ‘Ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem na Terra, vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que nem filho nem filha eles livrariam, mas só livrariam as suas próprias almas pela sua justiça’.” Ezeq. 14:20. (O grande conflito, p. 622-623)

M. L. Andreasen ajudou a criar a confusão ao escrever:

“… privados de todo apoio humano; satanás terá permissão de atormentá-los. Além disso, o Espírito de Deus se retirará da terra, e será eliminada a proteção dos governos terrestres. O povo de Deus ficará só para combater contra as potestades das trevas. Estará perplexo como Jó. Mas, como ele, se manterá firme em sua integridade.” (O Ritual do Santuário, p. 208)

Não fica claro o sentido de “o povo de Deus ficará só”. E a afirmação “o Espírito de Deus se retirará da terra” dá a impressão de que o povo de Deus vai estar por conta própria. Se foi isso o que Andreasen quis dizer, ele errou.

4. Existem outros benefícios da intercessão além do perdão.

Em certo sentido, Jesus continuará sendo intercessor, pois existem outros benefícios da intercessão, além do perdão de pecados.

a) Somos mantidos, sustentados pela intercessão:
“E todo aquele que romper com a escravidão e serviço a Satanás, e ficar sob a bandeira ensanguentada do Príncipe Emanuel, será mantido pela intercessão de Cristo. Cristo, como nosso Mediador, à direita do Pai, sempre nos mantém em vista, por isso é tão necessário que ele nos mantenha por Suas intercessões quanto nos resgate com Seu sangue. Se Ele retirar Seu sustento de nós por um momento, Satanás está pronto para destruir. Aqueles comprados pelo seu sangue, Ele agora mantém por sua intercessão. Vive sempre para interceder por nós [Hb 7:25]. (Ellen G. White, SDABC, vol 6, 1078)((“And everyone who will break from the slavery and service of Satan, and will stand under the blood-stained banner of Prince Immanuel, will be kept by Christ’s intercessions. Christ, as our Mediator, at the right hand of the Father, ever keeps us in view, for it is as necessary that He should keep us by His intercessions as that He should redeem us with His blood. If He lets go His hold of us for one moment, Satan stands ready to destroy. Those purchased by His blood, He now keeps by His intercession. He ever liveth to make intercession for us. “Wherefore He is able also to save them to the uttermost that come unto God by Him, seeing He ever liveth to make intercession for them” [Hebrews 7:25].)).

b) A intercessão nos livra até mesmo de cair em tentação:
“Nosso Salvador está continuamente trabalhando por nós. Subiu ao alto, e intercede pelos que foram adquiridos por Seu sangue. Ele alega diante de Seu Pai as agonias da crucifixão. Ergue as mãos feridas e intercede por Sua igreja, para que sejam livrados de cair em tentação.” (Testemunhos Seletos, vol 1, 376)

c) Nossos cultos, orações e louvor só serão aceitos pela intercessão de Cristo:
“Os cultos, as orações, o louvor, a penitente confissão do pecado, sobem dos crentes fiéis, qual incenso ao santuário celestial, mas passando através dos corruptos canais da humanidade, ficam tão maculados que, a menos que sejam purificados por sangue, jamais podem ser de valor perante Deus. Não ascendem em imaculada pureza, e a menos que o Intercessor, que está à mão direita de Deus, apresente e purifique tudo por Sua justiça, não será aceitável a Deus.” Mensagens Escolhidas, vol 1, 344.

d) A comunicação com Deus passa pela mediação de Cristo:
“E assim Cristo é o mediador da comunicação dos homens com Deus, e de Deus com os homens.” (O desejado de todas as nações, 143)
Haverá comunicação entre o céu e a terra durante o tempo de angústia. Portanto, esse aspecto da intercessão de Cristo também continuará. Haverá cultos, orações e louvor no tempo de angústia. Portanto, esse aspecto da intercessão de Cristo continuará. Se haverá sustento e proteção no tempo de angústia, esse aspecto da intercessão continuará.

A existência de vários aspectos da mediação de Cristo é confirmada pelo fato de Ellen White afirmar que Jesus sempre foi Mediador (“Ao passo que a Palavra de Deus fala da humanidade de Cristo quando na Terra, fala também positivamente de Sua preexistência. A Palavra existia como um ser divino, mesmo como o Eterno Filho de Deus, em união e unidade com Seu Pai. Desde a eternidade fora o Mediador do concerto, Aquele em quem todas as nações da Terra, tanto judeus como gentios, caso O aceitassem, seriam abençoados. Evangelismo, 615) e também dizer que ele tornou-se Mediador (“Tendo sofrido toda a penalidade por um mundo culpado, Jesus tornou-Se o Mediador entre Deus e o homem, para restaurar a pessoa arrependida ao favor de Deus, concedendo-lhe graça para guardar a lei do Altíssimo.” Fe e obras, 119). Claramente a “mediação/intercessão” possui diferentes nuances.

5. O Espírito “se retirará” da terra, mas não dos crentes

Como foi advertido nos dias de Noé: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem” (Gn 6:3). Esse “agir” refere-se à obra do convencer do pecado, da justiça e do juízo.

Quando lemos que não haverá mediador no céu, isso é certo. Mas não significa que a igreja de Cristo vai ter que viver sozinha, sem ele. Ele estará com sua igreja através do Espírito Santo. Quando se diz que o Espírito vai ser retirado do mundo, isso é verdade. Mas é somente do mundo perverso que o Espírito é retirado. O Espírito nunca é retirado da verdadeira igreja de Cristo.

Na verdade, a Chuva Serôdia, vem também para a igreja ter inigualável poder para atravessar os eventos finais. Assim, embora o tempo de angústia seja o pior da história, o poder e a manifestação do Espírito Santo também será o maior de todos os tempos.

Ellen White compara o tempo de angústia às provações e perseguições registradas no livro de Atos (O Grande Conflito 626, 627, 630, 633). Segundo ela, os eventos de Atos se repetirão nos últimos dias. Sendo que os eventos de Atos aconteceram após o Pentecostes, os últimos eventos acontecerão após a Chuva Serôdia. Os dois períodos de provação são antecedidos pelo derramamento especial do poder do Espírito Santo.

6. Deus guardará seu povo

Durante o tempo de angústia, Deus guardará os fieis. Ele tomará providências. Nesse contexto, Ellen White aplica a promessa “Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo.” (Ap 3:10)

O final do Salmo 91 tem uma aplicação escatológica. Deus guardará o seu povo no tempo de angústia: “Estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o glorificarei” (Sl 91:15) Ellen White aplica o Salmo 91 à experiência do povo que passará pelo tempo de angústia. (Ver Educação, 181; Patriarcas e Profetas, 110; Profetas e Reis, 538; O Grande Conflito, 630.)

Deus cuidará. Ele “enviará Seus anjos para a animar e proteger, no tempo de perigo” (O Grande Conflito, 621). Não existe, nos textos de Ellen White, nenhuma sugestão de que o povo de Deus ficará só, abandonado por Deus no tempo de angústia:

“Os assaltos de Satanás são cruéis e decididos, seus enganos, terríveis; mas os olhos do Senhor estão sobre o Seu povo, e Seu ouvido escuta-lhes os clamores. […] O amor de Deus para com os Seus filhos durante o período de sua mais intensa prova, é tão forte e terno como nos dias de sua mais radiante prosperidade.” (O Grande Conflito, 621)

Diante dessa promessa, não se preocupe demasiadamente com esse tempo futuro, preocupe-se com o preparo hoje:

“Qual é a vossa situação diante de Deus, hoje? A questão não é: Como subsistireis no dia de angústia ou em alguma ocasião futura?, e sim: Como vai vossa alma hoje? Ireis trabalhar hoje? Precisamos de uma experiência pessoal e individual neste dia. Necessitamos hoje de que Cristo permaneça conosco.” (Review and Herald, 9 de abril de 1889)

Ninguém precisa antecipar a angústia, sofrendo de antemão (“Agora desejo ler outra passagem: ‘Não andeis ansiosos de coisa alguma.’ Filip. 4:6. Que quer isto dizer? – Ora, não atravesseis uma ponte antes de chegar a ela. Não forjeis um tempo de angústia antes que venha. Chegareis a ele bastante cedo, irmãos. Devemos pensar no dia de hoje, e se cumprirmos bem os deveres de hoje, estaremos prontos para os deveres de amanhã.” Manuscrito 7, 1888). Nossa preocupação não deve ser do tipo “o que acontecerá comigo se eu pecar no tempo de angústia?” (“Live the life of faith day by day. Do not become anxious and distressed about the time of trouble, and thus have a time of trouble beforehand. Do not keep thinking, `I am afraid I shall not stand in the great testing day.’ You are to live for the present, for this day only. Tomorrow is not yours. Today you are to maintain the victory over self.” Signs of the Times, 20 de outubro de 1887)

7. Haverá intensa oração nesse período

Segundo Ellen White, nesse período os justos oram, afligindo a alma, “indicando o anterior arrependimento de seus muitos pecados, e reclamando a promessa do Salvador. […] Sua fé não desfalece por não serem suas orações de pronto atendidas.” (O Grande Conflito, 619)

“Ainda que os inimigos os lancem nas prisões, as paredes do calabouço não podem interceptar a comunicação entre sua alma e Cristo.” (O Grande Conflito, 627)

Parece que a vida de comunhão continua, de forma até mais intensa. Os justos viverão sem um intercessor para o perdão de pecados, mas em comunhão contínua com o Intercessor que os sustenta. O fato de não ter mais um intercessor no santuário não vai afetar a vida de oração.

8. Ainda existem fraquezas e impurezas no tempo de angústia

Esse ponto mereceria um aprofundamento. Mas, por questão de espaço, basta dizer aqui que nesse período de angústia ainda há uma obra de purificação, apesar dos justos serem santos. Ellen White fala das “fraquezas” dos justos e usa expressões como “refinar”, “purificar” e “provar no fogo”: “mas Aquele que os refina e purifica, os apresentará como ouro provado no fogo.” Ela acrescenta que “é necessário passarem pela fornalha de fogo; sua natureza terrena deve ser consumida para que a imagem de Cristo possa refletir-se perfeitamente.” (O Grande Conflito, 621)

“Aquele que vê todas as suas fraquezas, e sabe de toda provação, está acima de todo o poder terrestre; e anjos virão a eles nas celas solitárias, trazendo luz e paz do Céu.” (O Grande Conflito, 627)

Nesse período, alguns justos aprenderão lições de fé que tinham negligenciado:

“Os que agora exercem pouca fé, correm maior perigo de cair sob o poder dos enganos de Satanás, e do decreto que violentará a consciência. E mesmo resistindo à prova, serão imersos em uma agonia e aflição mais profundas no tempo de angústia, porque nunca adquiriram o hábito de confiar em Deus. As lições da fé as quais negligenciaram, serão obrigados a aprender sob a pressão terrível do desânimo.” (O Grande Conflito, 622)

Dois fatos resultam dessas declarações de Ellen White: primeiro, até mesmo alguns dos santos vão encontrar-se com alguma necessidade de crescer na fé após o fechamento da graça, o que irá criar para eles maior angústia e aflição.

Certamente a falta de amor e de fé não pertence a um estado de impecabilidade (Uma fé deficiente pertence a um estado de pecado. “A falta de amor e fé são os grandes pecados dos quais o povo de Deus agora são culpados.” Testemunhos para a Igreja, vol. 3, 475). Obviamente esta condição descrita por Ellen White nega a alegação de que os santos terão alcançado a perfeição absoluta nesse período.

Se os santos fossem realmente absolutamente sem pecado, e livres da natureza pecaminosa, como seria possível revelarem tal inadequação na fé? Para entender melhor a questão é preciso entender os conceitos de “pecado” e “perfeição”, pois possuem vários sentidos.

Segundo, a salvação pela graça e os méritos da expiação de Cristo ainda são úteis para os santos depois que se “fechar a porta da graça” (expressão que não traduz exatamente “probations close”). Crentes ainda confiam nos méritos de Cristo durante o tempo de angústia.

A condição limitada e imperfeita dos santos ainda requer a disponibilidade da justiça de Cristo. O estado dos santos é descrito com palavras como fraqueza, insuficiência e indignidade. A corrupção da natureza pecaminosa se manifesta nos santos enquanto ainda possuem este corpo mortal. Consequentemente, durante o tempo da angústia de Jacó, a dúvida, o temor, a fraqueza e indignidade refletem sua própria insuficiência e estado pecaminoso.

9. EGW condena pontos extremados sobre o assunto.

“Tomais passagens dos Testemunhos que falam do fim do tempo da graça, da sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre esse povo de um outro povo mais puro, santo, que surgirá. Ora, tudo isso agrada ao inimigo.” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, 179)

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